sexta-feira, 8 de outubro de 2010

EDUCANDO OU CRIANDO: O QUE ESTAMOS FAZENDO COM NOSSAS CRINÇAS E ADOLESCENTES?

EDUCAR OU CRIAR?

A resposta aparentemente é bastante simples. Encontra-se na dificuldade que cada vez mais os pais têm em educar seus filhos. E de que forma podemos perceber isso?

Essa distorção da educação torna-se bastante visível quando vemos cada vez mais os índices de violência contra Crianças e Adolescentes crescendo assustadoramente, assim como, quando visualizamos uma maior procura dos pais por consultórios psiquiátricos e clínicas terapêuticas. A princípio estes pais bem intencionados, procuram um acompanhamento profissional, ou mesmo, soluções milagrosas para suas dificuldades, mas infelizmente desconhecem o que eles próprios fazem de errado na educação de seus filhos.

Deve-se levar em consideração, que estes mesmos consultórios que recebem pais, também recebem filhos, ou seja, Crianças e Adolescentes que buscam uma solução miraculosa para seus problemas de inadequação social. São crianças e adolescentes sem limites que infligem às leis e às regras sociais, agridem a si mesmos, através do uso de drogas e da “flagelação” de seus corpos, além de desrespeitarem seus pais e violentarem outras crianças e adolescentes com agressões físicas, verbais e psicológicas. Tanta ausência de limites torna os pais cada vez mais frustrados e impotentes perante seus filhos, os quais estão sendo cada vez mais bem Criados e menos Educados.

Essas são algumas das conseqüências de uma constatação evidente em nossa sociedade, de que apenas cuidar dos filhos, não é mais suficiente para garantir-lhes um bom futuro. Precisamos ter em mente que existe uma grande diferença entre Educar e Criar. Nossa sociedade nos mostra cotidianamente que nossos adolescentes estão muito bem Criados: simpáticos, fortes, saudáveis, bonitos e bem vestidos, mas não Educados. Os pais simplesmente querem que seus filhos sejam felizes, porém, o que fazem para que sejam felizes e bem Educados? O fato é que poucas são as crianças e adolescentes que se consideram plenamente felizes, isso porque, ter tudo e não ter limites não é sinônimo de felicidade.

Os filhos precisam ser Educados e não mais meramente criados. As crianças e adolescentes precisam viver uma infância e adolescência com dignidade e limites, sempre em busca de seu bem estar e de sua qualidade de vida, assim como, de sua família e sua comunidade.

Os pais precisam preocupar-se mais com a educação de seus filhos, ao invés de perderem boa parte do tempo que deveria ser destinado à educação dos mesmos, com tentativas ilusórias de proporcionar-lhes felicidade, através da satisfação de prazeres, caprichos e regalias desnecessárias, vistas como mecanismos de incentivo à educação. Isso porque, ninguém pode dar felicidade a outras pessoas, nem os pais aos próprios filhos. Os pais devem ter ciência de que o máximo que eles podem proporcionar a seus filhos são momentos de alegria, prazer, saciedade, condições básicas de saúde, educação e auxiliar na construção da auto-estima e na formação de um jovem e adulto maduro e consciente; sendo uma tarefa dos filhos, aprenderem a ser felizes com os meios e recursos que lhes são proporcionados.

Que fique claro, que o grande dever dos pais é Educar seus filhos ao criá-los e não somente criá-los; é possibilitar aos mesmos, meios para que eles sejam pessoas responsáves por sua própria felicidade e conscientes de sua responsabilidade social.

Faz-se necessário frisar, que os pais devem ter prudência ao gerenciar os meios tidos como educativos ou disciplinares utilizados na educação de seus filhos. Esse alerta é para os pais que ainda confundem o estabelecer limites, com a punição e agressão de seus filhos.

Ainda precisamos repensar a forma como alguns pais estão educando nossas crianças e adolescentes. Refiro-me a nós enquanto família, sociedade e Estado. Acredito no diálogo como instrumento que pode substituir tantas formas de agressão que em nada educam. Numa família que pratica o diálogo, a criança já sabe o que lhe vai ser dito quando tem um comportamento inadequado, dispensando punições físicas e mesmos “sermões”. Não precisamos apenas de leis como as que estão aí para serem aprovadas, acerca da não violência na educação das crianças e adolescentes; precisamos fazer cumprir as que já existem; precisamos fazer com que as famílias, mesmo aquelas que vivem em realidades marcadas pela violência, possam ser instrumentalizadas e fortalecidas acerca da melhor forma de educar seus filhos, com a participação necessária do Estado.

Assim, Educar Sem Punir é uma responsabilidade de toda sociedade (pais, professores, sociedade civil e Estado), ou seja, é uma questão de responsabilização social, a qual realizada com ética, respeito e dialogo, nada mais é do que a busca pela dignidade humana de crianças e adolescentes, é o cuidar da pessoa toda e de todas as pessoas em condição peculiar de desenvolvimento, no sentido de uma atenção integral a todas as dimensões de seu desenvolvimento, quebrando assim, a cultura da violência contra crianças e adolescentes ainda tão presente em nosso cotidiano, (re)inserindo na sociedade a cultura de Proteção Integral com responsabilidade, valorizando a educação através do dialogo e responsabilizando os violadores de direitos.

Boaventura Santos.

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